Semestre europeu: prioridade às crenças


“A cada relatório de semestre europeu nós continuamos a tratar de crenças e não de realidade política ou sequer de razoabilidade. A crença é a de que nós temos que tratar de forma diferente os excedentes comerciais em relação aos défices. (…) E cada vez se carrega mais sobre os défices e cada vez mais se naturalizam os excedentes comerciais.

A questão dos excedentes comerciais e dos défices não é uma questão política é uma questão de lógica! O Comérico internacional é um jogo de soma nula. Para haver excedentes de um lado tem de haver défices do outro, e, nesse sentido, continuar este caminho de uma mão muito forte com os mais fracos, de castigo e de penalização, e uma mão muito leve com os mais fortes é um caminho para a desagregação da União Monetária e da própria União Europeia. Para além disso, penso que não se pode continuar a apostar na desregulação do mercado de trabalho.

E queria deixar uma última nota: por favor não peçam pareceres à Comissão dos Direitos das Mulheres para o semestre europeu se depois não têm em consideração nenhuma das propostas em relação à desigualdade de género.”

Marisa Matias – durante o debate do Relatório sobre o Semestre Europeu para a Coordenação das Políticas Económicas: aplicação das prioridades para 2016, na sessão plenária de Estrasburgo – 28/10/2015