Das lamas vermelhas da Hungria à Ribeira da Patanha

Cinco anos depois da tragédia que atingiu Kolantár e Devecser, na Hungria, o Parlamento Europeu debateu as “Lições extraídas da catástrofe das lamas vermelhas”. Marisa Matias recordou a barreira do silêncio do governo húngaro e das instituições europeias sobre a tragédia. “Se soubemos, em primeira mão, o que aconteceu foi pelas famílias das vítimas que trouxemos aqui ao Parlamento apenas um ano depois” – afirmou.

Cinco anos depois ainda não se conhece o verdadeiro impacto deste acidente industrial, e por isso a deputada do Bloco de Esquerda avisou: “não venham dizer que está tudo bem porque eu gostava de saber exatamente quais são as normas aplicadas a esta empresa atualmente.”

“Não venham dizer que o princípio do poluidor/pagador está a funcionar e que muitas coisas foram feitas, porque, sinceramente, não é preciso ir muito longe” – continuou Marisa Matias – “posso convidá-los para irem ao meu país, a Portugal, a uma pequena localidade, à Ribeira da Patanha, ver como uma multinacional contamina todos os dias uma comunidade que não tem como sobreviver para além dessa contaminação. Portanto não, não está tudo bem”. Continuar a ler

Síria: Para quando o embargo à venda de armas e à compra do petróleo?

“Existe, ou existirá algum dia, uma acção concertada por parte das instituições europeias e dos governos europeus para, não apenas uma condenação, mas uma moratória à venda de armas para os territórios em conflito? Haverá uma moratória à compra de petróleo dos territórios ocupados pelo “estado islâmico”? Sim ou não? É muito simples. Temos responsabilidades, somos excelentes a falar sobre os outros, a dar lições de moral e de como se devia fazer. Olhemos para as nossas responsabilidades. Sr. Schmit (membro do Conselho), se puder responder-me uma vez que seja a esta pergunta faça-o por favor. O que faremos para o embargo às armas e à compra do petróleo?”

Marisa Matias – durante o debate sobre a situação na Síria – 07/10/2015

O Sr. Schmit mais uma vez não respondeu.

Refugiados: Onde estão os valores europeus?

“Onde estão os registos das pessoas a serem alimentadas em currais de animais? Das pessoas a serem numeradas à entrada dos países europeus? Das pessoas a serem enfiadas em comboios e abandonadas em sítios que nem sequer sabem onde estão? Das pessoas a serem alojadas em antigos campos de concentração? Isso é a situação “humanitária” de muitos refugiados na União Europeia. O tratado que os senhores aprovaram – o vosso Tratado – diz que os valores europeus são: o respeito pela dignidade humana, liberdade, democracia, igualdade, estado de direito e respeito pelos direitos humanos, incluíndo os pertencentes das minorias. Meus senhores, o Tratado não é para ser aplicado “à la carte”. Com a austeridade já rasgaram metade com a crise dos refugiados estão à beira de o deitar fora. O que é que vão fazer ao Sr. Órban? O que é que vão fazer ao vosso amigo? Deverá ele cumprir o Tratado ou é uma excepção?”

Marisa Matias – durante o debate sobre a situação humanitária dos refugiados na UE e nos países vizinhos – 06/10/2015

Refugiados: Marisa Matias questiona as instituições europeias sobre o bloqueio na Hungria

bloqueio HungriaFoto de AP Photo/Petr David Josek

Marisa Matias questionou ontem ao final do dia a Comissão Europeia e o Conselho sobre o bloqueio imposto pelo governo húngaro à circulação ferroviária internacional, com o objectivo de bloquear os migrantes e refugiados que tentavam chegar à Áustria e à Alemanha. A deputada do Bloco de Esquerda questionou também as instituições acerca do acompanhamento que estarão a fazer das alterações à legislação sobre migração, anunciadas pelo Fidesz, e que pretendem reduzir a zero a imigração ilegal.

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A austeridade não paga dívidas

“A austeridade não pagou um cêntimo de dívida nem na Grécia, nem em Portugal, nem em nenhum país. E essa é que é a verdadeira questão. Se queremos trazer seriedade para o debate temos que trazer factos e não só uma obsessão ideológica em torno da austeridade. E de facto, o que se passou nas últimas semanas e na última cimeira foi muito sério e grave. Atravessaram-se várias das fronteiras que tinham sido declaradas intransponíveis a nível da União Europeia. Desde logo a da irreversibilidade do Euro, mas também a da democracia e a da solidariedade. Eu acho que se pode riscar a palavra solidariedade dos tratados. E, não, não se manteve a integridade da Zona Euro, pelo contrário, essa questão foi trazida para debate. E foi trazida para debate pelo Sr. Schäuble, não foi pelo governo grego.” – Marisa Matias  – ECON: debate sobre o acordo da Cimeira Euro relativo à Grécia – 16/07/2015